sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta-feira 13

            Abençoados sejam!!

      Hoje é sexta-feira 13 e eu, como boa Bruxa que sou não poderia deixar passar esta data em branco.
     Todo o mundo, ou pelo menos a maioria das pessoas que conheço, sempre fazem algum comentário sobre a data, claro, considerando o lado negativo da coisa (azar, maldições, pragas, etc), mas esta data não passa de uma data como outra qualquer. É a crença de que a sexta-feira 13 traz má-sorte às pessoas que a tornou importante.
      Minhas pesquisas dizem que não há uma origem certa para o temor da sexta-feira, porém, há lendas e mitologias que explicam o motivo de tal aversão ao dia. Claro, como não poderia deixar de ser, a igreja cristã está metida nisso. Seria neste período que Jesus Cristo foi perseguido e, antes de ser crucificado, em numa sexta-feira, ele teria celebrado uma ceia que ao todo contava com 13 participantes.
     Historicamente, existe a versão referente à consolidação da monarquia francesa. Ao sentir-se ameaçado pelo poder e influência exercido pela igreja (novamente a igreja), Felipe IV tentou se filiar à ordem dos Cavaleiros Templários, que negou a entrada do monarca. Despeitado pela recusa, ordenou a perseguição dos Templários em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307.
      Mas apesar destas especulações dando a entender que foi a igreja quem inventou a data, a verdade é que a origem da sexta-feira 13 é pagã, assim como o Natal e a Páscoa. São datas comemoradas há centenas de anos pelos pagãos, mas quando a igreja cristã impôs seu domínio, determinou que as celebrações eram “coisa do Demônio” e as proibiu. E, “inteligentemente” absorveu vários simbolismos pagãos, afirmando serem cristãos. Querem 2 exemplos disso? A árvore de natal e os ovos de páscoa.
      Sendo assim, vamos à origem desta data.
     Em Valhalla, a morada dos deuses nórdicos, houve um banquete no qual 12 deidades foram convidadas. Loki, deus do fogo e da discórdia, ficou enciumado por não ter sido convidado e enganou um deus cego para que este ferisse o deus solar Baldur, favorito de Odin, o deus dos deuses, causando grande confusão. Dessa mitologia surgiu a ideia de que reunir 13 pessoas não seria bom.
      Já a parte da sexta-feira, origina-se da Escandinávia e trata da deusa Frigga, a deusa da fertilidade e do amor. Quando as tribos nórdicas foram obrigadas a se converter ao cristianismo (olha a igreja cristã aí gente!), Frigga foi transformada em bruxa e exilada no alto de uma montanha. Diziam que, para se vingar, Frigga reunia-se todas as sextas-feiras com outras 11 bruxas e o demônio, somando 13, para jogar maldições e pragas sobre os humanos. Tal estória gerou raiva e animosidade das pessoas contra a deusa. Como a sexta-feira feira era o dia consagrado à Frigga, o advento do patriarcado fez com que esse dia fosse amaldiçoado.
      Sendo assim, após ver a origem desta data, chega-se à seguinte conclusão: a sexta-feira 13 é um dia comum como qualquer outro. O fato dos nórdicos acreditarem não ser aconselhável reunir 13 pessoas é uma coisa, associar o número 13 ao azar e acontecimentos ruins é outra bem diferente. E a sexta-feira ter sido associada a algo ruim, deve-se única e exclusivamente ao fato da igreja induzir as pessoas a acreditarem que uma deusa, antes cultuada com respeito, agora era uma bruxa má que se reunia com o Demônio para fazer mal a humanidade.
      Esta superstição é tão tola que, se fosse verdadeira, os covens não seriam compostos por 13 bruxos. E o número 13 é especial, pois também se refere às 13 lunações do ano, tão importantes para nós, bruxos e sacerdotes.
Há muitos anos, uma repórter de um programa de rádio da RBS, ligou para mim perguntando se eu poderia gravar uma entrevista falando sobre a sexta-feira 13. Concordei e o que eu disse a ela foi exatamente as mesmas coisas que eu escrevi aqui. Ressaltei que a imagem de bruxa ruim, de gato preto que dá azar e de outras coisas relacionadas à bruxaria origina-se da igreja cristã, que ao dominar as outras religiões existentes deturpou todos os conceitos para poder ficar no controle. Na verdade, até falei mais, mas o resto da conversa que abordava a importância das Bruxas, infelizmente não foi ao ar. Foi engraçado que, após a minha entrevista, outra bruxa foi entrevistada dando dicas de como se proteger na sexta-feira 13. Hilário.
      O que eu quero deixar claro neste texto é: criar imagens deturpadas de como as coisas realmente são é muito fácil, ainda mais se for para dominar o povo que está na ignorância. Agora, ensinar o povo a pensar e a progredir é que é o difícil.
      Não sei se minha opinião vale de alguma coisa a vocês, mas sendo Bruxa e Sacerdotisa, afirmo: sexta-feira 13 é um dia comum como qualquer outro, porque posso estar na rua caminhando calmamente em um sábado 14 e, devido minha falta de atenção, posso cair, torcer o tornozelo ou quebrar o pé. E aí? Vou colocar a culpa em quem? No sábado 14, porque foi depois da sexta-feira 13?

      Fico por aqui, até a próxima postagem e que a lua da Lua nos ilumine sempre.




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