quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ensinar por amor

      Abençoados sejam!!

     Vou postar um texto que eu escrevi há muito tempo, mas que acho interessante publicar.
      Lembro que, na época em que publiquei o texto no site Bruxaria.net, logo em seguida uma "bruxa" escreveu um texto baseado no meu, na verdade, ela escreveu um texto grosseiro até, dizendo que era um absurdo o fato de ensinar Bruxaria de graça. E depois escreveu mais coisas que eu não lembro...
      Acredito que ela se irritou tanto, porque muitas das coisas que eu escrevi ela devia fazer, caso contrário não há motivo para a indignação. Acho que ela escreveu o que escreveu porque o chapéu serviu e, provavelmente, ela não sabia lidar com a sombra dela e não admitiu que fazia o que eu
escrevi. Normalmente, quando a pessoa está errada, ela fica estúpida, irritada e muito ofendida (oras, por que eu vou admitir esse lado mercenário meu?) Ela deve ter pensado.
      Bem, vou postar o texto aqui e confesso que o ideal seria ter o meu e o texto dela, mas eu acho que salvei o texto dela em algum lugar dos meus alfarrábios. Prometo postá-lo aqui, assim que o encontrar.
     Tenham uma boa leitura.
     
 
             Ensinar por amor
 
Aprender a Arte... ensinar a Arte sem custos. Como fazer? Simples: ensinando com amor.
Não afirmo isto de forma genérica, mas por experiência. Nestes sete poucos anos em que estudo a Arte, me deparei com situações no qual o conhecimento era passado como uma espécie de mercadoria: ou se pagava por ele, ou não se aprendia. Concordo que deva haver algum custo para que o conhecimento seja passado como, por exemplo, o custo empregado para a confecção do material que será entregue ao aprendiz ou o valor cobrado para manter um coven e os materiais por ele utilizados, pois todos integrantes fazem parte dele e o usufruem, mas que este valor seja um valor mínimo, não usado para sustento próprio como já vivenciei.
A Arte deve ser ensinada com responsabilidade, dedicação e amor. Não é correto fazer dela um comércio, como tem sido feita. Levi (1998) já dizia isto ao afirmar que o mago deve ter outra profissão, uma vez que a magia não é um ofício. Neste caso, ele refere-se, em específico, à magia. em específico, que é uma ciência voltada para ao estudo dos segredos da Natureza e sua relação com o homem. Eu me refiro ao ensino da Antiga Arte, da Bruxaria, que utiliza a magia da Natureza com o propósito de atingir determinados fins.
Ao meu ver, todo(a) Bruxo(a) que realmente leve a sério a Bruxaria e toda a filosofia nela contida, deve ter um respeito muito grande pelo caminho que escolheu seguir e, por conseguinte, não deve fazer dela um negócio. Comercializar rituais, vender iniciações ou trocar o conhecimento por dinheiro é algo para, no mínimo, questionar a veracidade.
Bruxos(as) que são agraciados com o dom de ensinar, de passar adiante o conhecimento sobre a Arte, deveriam ensinar a todos aqueles que chegam até eles através do Chamado da Deusa, independentemente se podem ou não pagar por este conhecimento. O que se dirá daquelas pessoas que não possuem condições financeiras para pagar por um curso de Iniciação à Wicca, por exemplo, e que realmente o levariam a sério. Sim, pois há muitas pessoas com recursos suficientes para realizarem diversos cursos esotéricos, mas, no entanto, os fazem apenas para provar aos outros que têm tal certificado ou que sabem mais. Não pelo amor à Arte  ou  por querer aprender para, quem sabe posteriormente, passar o conhecimento aos outros. Pois foi por amor e dedicação de nossos antepassados que a Bruxaria está presente em nossas vidas.
Vejo Bruxos (as) vendendo conhecimentos a preços exorbitantes com a desculpa de que precisam valorizar o que sabem. Porém, como já foi dito antes, se eles possuíssem uma fonte que os sustentasse, isto não seria necessário. O aprendiz não seria explorado financeiramente e o conhecimento não lhe seria negado. O que se aprende com o coração, se ensina com amor.
O que pretendo ao escrever este texto é fazer com que os(as) Bruxos(as) que vendem a Antiga Arte parem e reflitam se, de fato, estão cumprindo com o verdadeiro propósito ensinado há gerações pelos Antigos ao  passar o conhecimento: dedicação, respeito e amor.
Morghana (12/01/07)
 
Espero que tenham gostado, até a semana que vem,
      )O( Que a luz da Lua nos ilumine sempre )O(
 
 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A escolha de um caminho

     Abençoados sejam!!

Posto hoje aqui, um texto que escrevi em 2007 (já faz um bom tempo...).
Apesar do texto ser "antigo" serve muito bem para os dias de hoje.
 
Não tenho a data precisa de quando comecei a seguir por esse caminho. Só o que sei é que ele foi, aos poucos, se mostrando a mim. E, o pouco que vi, me fez perceber que era exatamente o caminho certo a seguir, embora, em nossas vidas não exista exatamente um caminho certo ou errado, simplesmente há caminhos a escolher. Não importa a direção que seguirmos, cada caminho, em sua diferença, sempre conduzirá ao mesmo lugar, à mesma verdade.
A Bruxaria, é uma filosofia de vida e a forma mais simples e pura de entender os verdadeiros mistérios da vida. É por isso, que eu não consigo entender o motivo de, em pleno século XXI, o século da informação, que ainda existam pessoas que tremem só de ouvir falar em Bruxas. É uma contradição que, com tantos avanços tecnológicos, científicos e “sociais” ainda exista esse tipo de preconceito.
Muitas pessoas falam que não gostam de Bruxas, que elas são más e que só vivem para trazer desgraça às outras pessoas. Mas isso não é verdade! É tudo uma falácia que a Igreja criou para poder exercer poder sobre as pessoas. Bruxas e Bruxos são pessoas normais, que vivem como qualquer outra pessoa e utilizam a energia da Natureza como uma maneira de estarem sempre conectados com a Deusa. O que há, na verdade, é uma força que abrange todos os seres e se espelha por tudo. Essa não é nem boa, nem ruim, simplesmente é. E aqueles que souberem lidar com ela é que possuirão o livre arbítrio de escolher como e de que forma irão usar essa força. A magia será branca ou negra de acordo com a alma daquele que a utiliza.
Desde o início dos tempos, o homem sempre teve medo de tudo aquilo que não conhecia e, por isso, tende a repudiar e afastar tudo aquilo que foge do seu conhecimento. E foi isso que aconteceu na época da caça às Bruxas. Toda a mulher que soubesse curar doenças, que usasse ervas e que pensasse diferente da maioria era considerada Bruxa e queimada na fogueira, sem ao menos ter direito a se defender, aliás, naquela época, as mulheres não tinham direito a nada.
Foi realmente uma época horrível, uma época em que se observou o quanto o ser humano, em sua essência, é podre e está muito longe de ser civilizado. Utilizar técnicas de tortura, fazer com que pessoas inocentes fossem mortas ou estimular espionagem, acusações entre pessoas conhecidas ou até mesmo da mesma família para fugirem da fogueira são apenas algumas das milhares de atitudes bárbaras e cruéis utilizadas pela Igreja Católica, com o intuito de eliminar todos aqueles que estivessem em seu caminho e fossem contra sua maneira de pensar.
Muitas Bruxas morreram por defender seus ideais e seu jeito livre de ser e de pensar. E muitas outras lutaram com todas as suas forças para fazer com que a Bruxaria continuasse existindo, mesmo contra as imposições da Igreja que queria subjugar e dominar tudo e todos. Graças a elas, é que hoje podemos ainda estudar a Velha Tradição e os mistérios da natureza. Graças a elas ainda podemos ver o quanto é bela a Antiga Arte, como seus ensinamentos e ideais são simples e desprovidos de qualquer pretensão. Não somos culpados de nada, não temos pecado nenhum. Somos apenas seres que buscam a comunhão com a natureza e com as forças que nos cercam e que existem há muitos anos, muito antes de nós. Não queremos o mal de ninguém, não obrigamos ninguém a estudar nossa religião, simplesmente vivemos a vida, comemoramos as passagens do ano e as estações... não provocamos desastres naturais, apenas vivemos e respeitamos a Natureza como a um igual. Não a destruímos e sofremos muito quando vemos atrocidades cometidas como se fosse a nós mesmos que tal fato fosse cometido.
Se não prejudicamos e não desejamos o mal de ninguém, então por quê a Igreja deturpou nossa imagem e hoje, em uma sociedade avançada tecnicamente e dita, avançada culturalmente, ainda somos vistos como criaturas más, fora do padrão social e normal?
Sinto-me mal quando alguém confunde um pentagrama com o selo de Salomão e me sinto pior ainda quando alguém pergunta a minha religião e sinto um certo receio em dizer que sou bruxa. E o mais engraçado e que, ao me perguntarem o significado do pentagrama, eu respondo qualquer coisa, dizendo que é um simples símbolo para atrair sorte e fico desejando que a pessoa não pergunte mais nada, para que eu não tenha que me esquivar mais do assunto e não dizer a verdade a ela, pois, com certeza, ela não entenderia.
Gostaria de sair por aí e assumir minha verdadeira identidade, meu verdadeiro caminho sem me sentir culpada por nada. Gostaria que eu pudesse dizer com orgulho a que quer que me perguntasse que sou uma Bruxa e que me sinto muito feliz por ser o que sou, exatamente quando acontecia com nossas irmãs e irmãos há muitos séculos atrás quando a Bruxaria era a religião natural das pessoas, quando se reuniam e comemoravam as colheitas, as luas, as estações... Naquela época, ninguém nascia com pecado ou culpado de nada, porque não havia motivos para isto. As pessoas viviam e respeitavam a Natureza, porque sabiam que faziam parte dela e que, se destruíssem ela, estariam destruindo a si mesmos, pois eles vinham da Natureza e para a Natureza retornariam depois que morriam, completando, assim, um círculo que jamais termina. Porém, as pessoas de hoje não conseguem ver e entender isso, pois carregam em si uma bagagem cheia de imposições, de regras e preconceitos que adquirem ao longo de suas vidas.
As pessoas deixaram de questionar o por quê agem de certa maneira, como recriminam os outros que são e pensam  diferente delas. Simplesmente vivem como robôs, seguindo e cumprindo leis que lhes são impostas ao longo de suas vidas.
Ah, ainda há tanto pra falar e discutir sobre coisas de errado que há neste mundo, mas toda a vez que eu paro para pensar no caminho que nossa religião teve que passar para chegar em segredo até nós, que me sinto tão triste que sinto vontade de chorar. Chorar por todas as mulheres que morreram na fogueira queimadas simplesmente porque cultuavam a Natureza, vejam bem! Cultuavam a Natureza, a mesma Natureza que hoje, muitos grupos como o Greenpeace, por exemplo, luta para salvar. Mulheres e homens, exatamente iguais a nós que conheciam ervas, sabiam usá-las e curavam pessoas com elas. Não há nada demais em cultuar as fases da lua, em comemorar as estações do ano ou comemorar o simples fato de estar vivo! Não há nada de extraordinário nem sobrenatural nisso. É apenas a comemoração da vida, do ciclo que todos nós, sejamos budistas, católicos, umbandistas ou espíritas passamos.  É só a comemoração desse círculo sem fim que animais e humanos seguem, sem exceção nenhuma e que todos estão ligados de uma maneira ou de outra.
Sinto-me triste ao saber que a nossa Tradição cultuada com tanto amor e dedicação por nossos irmãos antigamente, hoje foi transformada em algo promíscuo e maléfico. Que nossos ideais de vida foram usados e tiveram seus significados alterados e distorcidos por outras religiões que se dizem donas da verdade e prometem às pessoas libertação e um lugar no céu, se em troca, receberem algum dinheiro ou algum tipo de sofrimento, pois só assim a vaga no céu estará garantida.
Não sei ao certo quando eu ouvi o Chamado nem quando eu comecei a trilhar esse caminho, mas sei que depois que ouvi a voz da Deusa e percebi a simplicidade das coisas que estão ao meu redor, é que senti o quanto é bom estar viva e poder contemplar o canto dos pássaros, sentir o vento bater em meu rosto, sentir o cheiro de grama e poder olhar tudo com clareza e admiração... estou aqui, seguindo mais uma vez o mesmo caminho que milhares de outras Bruxas seguiram, vendo a cada dia que meu papel neste mundo e, nesta vida, de alguma maneira é importante e fundamental para que mais uma vez o ciclo sem fim da vida se cumpra e se renove e, que a Antiga Arte, por mais uma geração, continue sendo a celebração da vida e do simples fato de existir.
Foi por isso que escolhi esse caminho e, se pudesse escolher de novo, de novo eu faria a mesma escolha, porque a alma de uma Bruxa não muda jamais...
 Morghana    27/01/07
 
Espero que tenham gostado.
Até a semana que vem e que a luz da Lua nos ilumine sempre. )o(
 
 
 
 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Dança dos mortos

   Abençoados sejam!

   Na última postagem, coloquei um texto sobre o Deus Queer (eu só sei que eu não quero). Certo, desculpem a piadinha infame, mas vamos lá.
    Hoje vou postar um ritual do livro de Konstantinus, Nocturnicon. Confesso que tudo muito engraçado. Conforme ele descrevia o ritual, eu visualizava, mas chegou uma hora em que não consegui mais levar a leitura à sério. Eu não sei, mas normalmente as leituras de paganismo e de bruxaria que eu faço são sérias e eu consigo até sentir a energia do ritual, mas esse. Apesar de ser Magia Negra (que eu gosto muito) não foi possível considerar.
    Depois me digam o que acharam.
 



 
 
Bem, depois dessa só resta me despedir. Até a semana que vem e que a Lua nos ilumine sempre.
 
 
 

sábado, 1 de junho de 2013

Está um pouco estranho...

      Abençoados sejam!!

  Faz um tempo que não passo por aqui para escrever alguma coisa. O tempo e as situações que se apresentam sempre me "afastam" dos meus blogs, mas cá estou eu aqui.
   Bem, eu tenho um capítulo de um livro do Claudiney Pietro (Ritos de Passagem) que escaneei porque queria compartilhar com vocês.
   Certo, estamos em uma época em que o Homo é normal e quem não é, é obrigado a aceitar a situação. Não digo com isso que sou contra ou a favor, porque minha vida não muda em nada com isso.
   Apenas achei curioso e questionável a criação de um deus na Bruxaria para os homossexuais. Estranhei, porque se assim é, então qualquer pessoa pode criar um deus. Eu, que sou apaixonada por Beethoven e Freddy Krueger, também posso criar deuses deles e sair por aí cultuando?
    Existem coisas que os Gardnerianos defendem que eu não concordo (o esquema de só prestar se for descendente de Gardner), mas vamos pensar:
    A Wicca, em partícula continuar, tem suas regras e seus fundamentos. Se um homossexual quer ser Wiccano, então deve se adaptar às regras da religião que escolheu. Se é complicado demais se envolver com o sexo oposto, então acredito que esse não é o caminho dele.
    Não quero ser de modo algum taxativa ou racista, mas acontece que ficar por aí criando deuses que se adaptem às nossas necessidades faz com que a Wicca e a Bruxaria acabem perdendo o sentido, porque qualquer um vai inventar um deus que lhe agrada. Se for assim, então para quê existir a religião? É como se um grupo de homossexuais criasse um novo santo que defenda a homossexualidade na Igreja Católica.
   A sociedade pode estar mais "liberal" e coisa e tal, mas pelo menos o respeito às religiões deveria continuar.
   Já li textos que falam sobre estudos que comprovam que existe homossexualismo na natureza, que os animais não se juntam apenas para reprodução. Mas isso não justifica a criação de deuses homossexuais por causa de um grupo de "bruxos" que não conseguem se relacionar com o sexo oposto porque não quer, na parte religiosa.
   Quando se fala em energia, deve-se trabalhar com os opostos. Dia-Noite, Sol-Lua, Claro-Escuro... e por aí vai. Me digam, que EQUILÍBRIO pode haver se todos forem para o mesmo lado? É como uma balança: se houver peso em só um dos lados, o desequilíbrio é inevitável, mas me parece que esse pessoal não entendeu...
   E o Grande Rito, não o simbólico, mas o real (para quem pratica), como fica? Como é que vão canalizar a energia se houver 2 Sacerdotisas ou 2 Sacerdotes? Isto é uma coisa que eu queria entender, mas confesso que, por mais argumentos que existam, ainda não vou compreender...
   Sendo assim, vou deixar o capítulo que fala sobre isso, para vocês lerem e tirarem suas próprias conclusões.
    Abraços e que a Luz da Lua nos ilumine sempre )O(,